Dor na virilha: quando a causa é a síndrome do reto-adutor
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Existem várias razões para a dor na virilha. Em atletas, a síndrome do reto-adutor é de maior relevância |
A síndrome do reto-adutor é uma forma de dor na virilha causada por microtraumas que consiste numa inflamação crónica no ponto de inserção no púbis, ou seja, dos tendões dos adutores e do reto abdominal (ver fig. ao lado). A inflamação resulta de um uso excessivo funcional ou microtraumas recorrentes de torção ou tração na região das inserções tendinosas destes músculos. De facto, a região púbica é um ponto de confluência de stress considerável produzido tanto pelos músculos abdominais (de cima) como pelos adutores (de baixo), e a sobrecarga funcional é facilitada pelo pequeno espaço disponível.CORRELAÇÕES BIOMECÂNICAS DA SÍNDROME DO RETO-ADUTOR
A estabilidade da pélvis só pode ser garantida pela interação harmoniosa de vários grupos musculares, ligamentos e ossos. Sendo a região púbica o fulcro do nosso corpo, é o ponto de encontro-conflito das forças que chegam de baixo (impacto com o solo) e de cima (peso do tronco). Os adutores e os músculos abdominais desempenham um papel importante devido às suas ligações estreitas com a sínfise púbica. As suas ações são antagónicas: para os músculos abdominais e o reto em particular, a direção do vetor de força é superior e posterior, enquanto que para os adutores a direção do vetor de força é inferior e anterior. (Fig. 2)

Fig:2: Forças de encontro-conflito e ações musculares
Distribuição da força do peso do tronco; Distribuição da força do impacto no solo; 3. Vetor de força dos abdominais; 4, Vetor de força dos adutores.
SINTOMAS
A síndrome do reto-adutor apresenta-se como uma dor local na virilha ou na região abdominal inferior que pode irradiar para o membro posterior medial na proximidade da parede abdominal e, menos frequentemente, para o períneo. Os sintomas são geralmente unilaterais, mais raramente bilaterais. Nas fases iniciais, a dor é ligeira, muitas vezes silenciosa, sensível à palpação e não dificulta a atividade, ou aparece durante a atividade e desaparece gradualmente quando esta termina. Estas fases são subestimadas na maioria dos casos!
Nas fases avançadas, a atividade é impossível e a dor surge mesmo durante a marcha. A vida social também pode ser prejudicada.O QUE FAZER?
EXERCÍCIOS ÚTEIS
Os exercícios seguintes são úteis tanto para a prevenção da síndrome do reto-adutor como para fins de reabilitação. Os exercícios devem ser realizados no final da sessão de treino ou, em qualquer caso, após um aquecimento muscular adequado. Os exercícios de alongamento serão mantidos durante 30 segundos e o relaxamento muscular será promovido durante a expiração.- Alongamento do músculo iliopsoas: a tensão muscular é percebida como anterior na anca;


- Alongamento dos músculos isquiotibiais: a tensão é percebida como posterior na coxa.



- Exercícios de estabilidade do core: Existem várias variações; as duas posturas básicas são ilustradas aqui, para serem mantidas durante pelo menos 30 segundos (recomenda-se 1-2 minutos).


- Contrações excêntricas dos adutores: O atleta está em posição supina, com os joelhos dobrados e os pés assentes no chão. O pedido é para contrair os adutores de modo a aproximar os joelhos. O terapeuta não só se opõe à contração, como estica as pernas do jogador, provocando assim uma contração excêntrica dos adutores. Recomenda-se 3 séries de 10-15 repetições.

- Contrações excêntricas dos músculos retos abdominais: Começando na posição ilustrada na figura, o atleta estende a anca, mantendo o joelho estendido até que os seus calcanhares estejam a 5-10 cm do chão. Neste momento, o terapeuta ou um colega de equipa traz as pernas de volta à posição inicial. Recomenda-se 3 séries de 10-15 repetições.

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